Podiam alguns julgar que a época das comparações entre homens e mulheres acerca do tamanho ou dimensão de certas coisas já pudesse estar circunscrita à época da adolescência, que é de facto propícia a esse tipo de regozijo banal. Contudo, isso não só não se verifica como ainda se estende a temáticas deveras mais importantes e relevantes, não só para o indivíduo como para o colectivo.
Isto poderia não ser tema que merecesse nota ou que merecesse o tempo que estou agora a dedicar para a escrita destas palavras e vocês na leitura das mesmas. No entanto, um evento curioso (que não será certamente o único) vindo do outro lado do Atlântico, despertou o meu interesse por estas palavras. Então não é que a meca da sétima arte, afinal pode ser um covil anti-semita? Parece que sim, e parece que até deu alguma polémica.
Ora veremos, e atentem a estas palavras que vos escrevo: na última edição da maior premiação cinematográfica mundial, os Óscares, o realizador judeu Jonathan Glazer arrecadou um prémio e no seu discurso parece que foi muito anti-semita. Repito, o realizador judeu Jonathan Glazer. Judeu.
Surpresas da vida como estas, quando alguém que realizou um filme que explora e revela de forma potente os terrores que ocorreram durante os massacres de milhões de pessoas pelos Nazis durante a 2ª Guerra Mundial, e que por tal filme vence um Óscar pelo seu prestigiado trabalho, mas que comete o crasso erro de apontar o dedo ao massacre e genocídio que está continuamente a ser realizado por Israel na Palestina, e atenção que o senhor é judeu e foi um discurso curtinho, foi só mesmo um ligeiro apontar do dedo (https://www.publico.pt/2024/03/13/culturaipsilon/noticia/discurso-jonathan-glazer-israel-oscares-gera-polemica-2083525). Desta não estava à espera, confesso.
Mas, no bom estilo Hollywoodesco, a polémica instala-se, o pânico espalha-se e a loucura e idiotice começa a transmitir-se rapidamente quase como algo inevitável, como por exemplo quando o rabino Marvin Hier comentou esta ‘bomba’ com as seguintes palavras: “I couldn’t believe it”, “If I didn’t know better, I would think that this was a Hamas rally.” (https://variety.com/2024/film/news/jonathan-glazer-oscar-speech-zone-of-interest-open-letter-1235944880/). Portanto já sabem, fujam de Hollywood e fujam rápido.
Outra pessoa, o realizador László Nemes, comentou o seguinte: “Had he embraced the responsibility that comes with a film like that, he would not have resorted to talking points disseminated by propaganda meant to eradicate, at the end, all Jewish presence from the Earth.” (https://www.theguardian.com/film/2024/mar/15/jonathan-glazer-oscars-speech-condemned-by-son-of-saul-director-laszlo-nemes).
Coitado do Sr. Glazer que com tão poucas palavras conseguiu incitar um ódio maior por esse mundo fora, assim como revelar a verdadeira faceta dos Óscares que não passam de um bando de apoiantes do Hamas, uma vergonha.
Mas isto para mim não é surpresa alguma, porque a idiotice americana e Hollywoodesca há muito que me é familiar, e coisas como esta fazem-me sempre lembrar filmes como o “Idiocracy” e a forma como hoje em dia muitas pessoas já nem se dão ao trabalho de sequer pensar minimamente nas coisas ou comparar artigos, fontes, procurar por outros pontos de vista, querer saber os dois lados da moeda, assim como aqueles lados que não são visíveis a olho nu. E também nãe é isso que tenciono fazer aqui, porque cabe a cada um puxar pela sua mioleira e ir atrás dos dados e ter uma visão global de que tópico for e que lhe interessar.
Quanto a mim, já me deixou mais perplexo, mas infelizmente já não me deixa porque já é quase comum coisas destas, comparações de actos cruéis e bandeiras únicas que cada um pode carregar e que por si só leva a que mais nenhuma bandeira possa ser carregada. Um lado ou o outro. A favor ou contra. O tudo ou nada dos dias que correm.
Enquanto as comparações e as bocas continuam por aí, as ‘polémicas’ continuam com lenha para arder e a caravana passa. Será que na eventualidade dos palestinianos desaparecerem deste planeta as guerras de comparações vão continuar? Provavelmente vão.
André Marques