Reforçar o trabalho local de base

Por Luís Santos, intervenção na XIVª Convenção do Bloco de Esquerda pela moção H

Camaradas,

Sou subscritor da Moção H

O trabalho local de base tem que ser um dos pilares fundamentais da nossa organização. Para tal, a democracia de alta intensidade tem que ser uma realidade, numa dialética constante entre as militâncias concelhias, distritais, regionais e nacionais.

Este caminho exige que rompamos com práticas instituídas de lógicas de organização hierarquizada do trabalho político e em sentido unidirecional, de cima para baixo.

A intervenção nos bairros, no movimento associativo local, nas comissões de moradores e em outras organizações de âmbito de atuação local tem que ser valorizado e incentivado. Temos que deixar de olhar para esses espaços com arrogância e superioridade intelectual e moral.

A pedra da calçada é a expressão que todas já ouvimos como forma depreciativa daquilo que também é o trabalho local. Contudo, esquecemo-nos que a pedra da calçada é também a arma de combate a muitas dominações e é das mais democráticas a que podemos ter acesso.

A pedra da calçada é aquilo que nos afeta todos os dias! Temos que ouvir e enquadrar no nosso trabalho local quotidiano essas temáticas mais particulares, com o mesmo entusiasmo e empenhamento político que colocamos nas questões de âmbito nacional e internacional.

Um dos instrumentos que temos ao nível local para desenvolver esse caminho é o trabalho autárquico. Aquele que muitas vezes ignoramos e menosprezamos. Trabalho local e trabalho autárquico têm que ser partes da mesma face das nossas lutas.

A representação autárquica do Bloco de Esquerda não pode ser essencialmente uma correia de transmissão de propostas e ideias vindas de cima e, muito menos, deve fechar-se na suposta altivez dos salões mais ou menos nobres dos municípios e das freguesias.

O trabalho local de alta intensidade tem que ser o motor fundamental da construção da intervenção autárquica do Bloco. Temos que levar para esses espaços de representação política os resultados desse trabalho nas ruas, nos bairros, nas coletividades e nas nossas estruturas concelhias.

Temos que levar para os órgãos autárquicos em que temos representação a radicalidade das nossas convicções. A disputa ideológica faz-se em todos as esferas das nossas vidas!

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